O problema que ninguém conta: a supermedicação em idosos

Milhões de idosos em risco
Polifarmácia
Dez ou mais drogas
Hospitalizações e efeitos colaterais
Piora
Custo alto
Má prescrição
Quedas e fraturas
Memória e outras funções cognitivas
Os benzodiazepínicos
No entanto
Mal utilizados
Mas também há outros usos impróprios
Mais de um médico
Médicos apenas prescrevem
O que pensam os pacientes?
Qual a solução?
Informações mais detalhadas
Check-ups regulares
Treinamento adicional para prescritores
Reduzir a influência da indústria farmacêutica
Canadá e Austrália
Veterans Affairs Health Care System
Milhões de idosos em risco

Apesar dos benefícios dos medicamentos modernos, o excesso de prescrição coloca milhões de idosos em situação se risco. Um relatório divulgado em 2019, pelo Lown Institute ('Medication Overload - America's Other Drug Problem'), conta detalhes sobre a terrível epidemia da polifarmácia, nos Estados Unidos. Afinal, o que é isso?

Polifarmácia

A polifarmácia é definida como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos. E mais de 40% dos adultos idosos faz uso dela. São três vezes mais a quantidade de vinte anos atrás, de acordo com o CDC.

Dez ou mais drogas

Se incluirmos os medicamentos e os suplementos vendidos sem receita médica, podemos dizer que quase 20% dos idosos tomam dez ou mais fármacos, ao mesmo tempo. Alguns chegam até a mais de duas dúzias de medicamentos diferentes, de acordo com uma pesquisa da Slone Epidemiology Center.

Hospitalizações e efeitos colaterais

Todos os dias, 750 pessoas com 65 anos ou mais são hospitalizadas, nos EUA, por um efeito adverso de um ou mais medicamentos, segundo o Lown Institute. Na última década, os idosos procuraram tratamento médico para combatê-los, mais de 35 milhões de vezes.

Piora

O Lown Institute estima que, se nada for feito, a sobrecarga de medicamentos levará a 150 mil mortes prematuras, na próxima década, e reduzirá a qualidade de vida de milhões de idosos.

Imagem: harry cao/Unsplash

Custo alto

Além disso, haverá 4,6 milhões de hospitalizações por sintomas adversos graves, relacionados à sobrecarga de medicamentos, e 74 milhões de consultas ambulatoriais, a um custo total de, pelo menos, 60 bilhões de dólares.

Má prescrição

Para pacientes mais velhos, os medicamentos inapropriados prescritos mais comumente são: inibidores da bomba de prótons, como Nexium e Prilosec, benzodiazepínicos, como Xanax e Ativan, e antidepressivos tricíclicos. Tudo isso, de acordo com uma análise de dados do Medicare.

Imagem: Davide Zacchello/Unsplash

Quedas e fraturas

Michael Schoenbaum, epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde, disse ao New York Times que fraturas e quedas já são um perigo comum para pessoas idosas. Os acidentes podem se tornar ainda mais recorrentes, porque os “benzos” causam tonturas. Este tipo de medicamento também está associado a acidentes automobilísticos, já que provocam sonolência e fadiga.

Memória e outras funções cognitivas

De acordo com o Dr. Donovan Maust, psiquiatra do Veterans Affairs Ann Arbor Health Care System, o fármaco citado anteriormente também provoca efeitos negativos na memória e em outras funções cognitivas. Alguns estudos mostraram, inclusive, uma associação deste remédio com demência e Alzheimer, embora especialistas considerem que as evidências, até o momento, são inconclusivas, de acordo com o New York Times.

Os benzodiazepínicos

Embora tenham um efeito calmante, são altamente viciantes, de acordo com os American Addiction Centers. Sua retirada pode durar até um ano ou mais, por isso, não devem ser usados por mais de um mês.

Imagem: Volodymyr Hryshchenko/Unsplash

No entanto

Keith Humphreys, pesquisador da Universidade de Stanford, disse ao The New York Times que muitas pessoas tomam benzodiazepínicos por anos.  Descrevê-las como “dependentes” normalmente causa um sentimento de raiva, por conta do estigma negativo em torno a problemas do vício.

Imagem: Towfiqu Barbhuiya/Unsplash

Mal utilizados

Cerca de 12,6% dos adultos estadunidenses tomam benzodiazepínicos e seu uso indevido é feito por quase 20% dos pacientes, de acordo com o PubMed. Comprar o fármaco sem prescrição é o tipo mais comum de uso indevido.

Mas também há outros usos impróprios

Por exemplo: tomar a dose incorreta do fármaco, tomá-lo fora de hora, esquecer uma dose, interromper seu uso antes do previsto ou tomá-lo por outros motivos que não aquele pelo qual foi prescrito.

Mais de um médico

É comum os idosos irem a médicos diferentes, que receitam remédios distintos. Isso pode fazer com que tomem a pílula errada, ou a dose errada e na hora errada. Os pacientes muitas vezes não sabem quais medicamentos são essenciais, assim, podem deixar de tomar um medicamento necessário, enquanto aderem fielmente a um fármaco menos vital, de acordo com o JAMA Internal Medicine.

Médicos apenas prescrevem

Dr. Ariel Green, geriatra e pesquisador do centro Johns Hopkins, disse ao The New York Times que as prescrições estão sendo reescritas, ano após ano, sem que ninguém explore por que foram inicialmente necessárias. Seria urgente rever este método de renovação das receitas médicas, para avaliar se o medicamento permanece eficaz.

Imagem: Instituto Nacional do Câncer/Unsplash

O que pensam os pacientes?

A maioria dos idosos diz que está disposta a reduzir seus medicamentos, de acordo com um estudo de 2018, publicado no JAMA Internal Medicine, mas, paradoxalmente, também acredita que todos os seus medicamentos são necessários.

Qual a solução?

O plano de ação do Lown Institute oferece recomendações em várias áreas. A principal seria aumentar a conscientização sobre a sobrecarga de medicamentos entre os pacientes e a comunidade de saúde, bem como os agentes políticos.

Informações mais detalhadas

Os médicos precisam saber quais medicamentos seus pacientes já tomam, e conhecer quais as diretrizes da prática clínica, para poder suprir as necessidades de pacientes mais velhos, segundo o Lown Institute.

Check-ups regulares

Os médicos precisam receber ferramentas para realizar uma atualização eficaz da prescrição. É preciso avaliar a carga de medicamentos de seus pacientes e atualizá-la.

Treinamento adicional para prescritores

Além disso, é fundamental sensibilizar os profissionas da saúde sobre os perigos da sobrecarga de medicamentos. Eles precisam saber como evitar o excesso de prescrição, sendo capazes de desprescrever, quando o paciente estiver sobrecarregado.

Imagem: Instituto Nacional do Câncer/Unsplash

Reduzir a influência da indústria farmacêutica

De acordo com o Lown Institute, a grande influência da indústria farmacêutica ajudou a persuadir pacientes e prescritores a usar uma pílula para cada doença.

Canadá e Austrália

Um grupo de líderes de saúde, médicos, tomadores de decisão e pesquisadores acadêmicos trabalha  para promover o conhecimento e a desprescrição de medicamentos que podem não ser mais benéficos e, inclusive, causar danos.

Veterans Affairs Health Care System

Esta instituição, nos EUA, especializada em pacientes idosos, também adotou uma estratégia de desprescrição, já que os pacientes mais velhos, com transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade ou depressão, geralmente tomam benzodiazepínicos.

Imagem: Sydney rae/Unsplash

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