E se a Rússia estiver ganhando a guerra da Ucrânia?

Otimismo real?
Uma guerra lenta, mas na qual a Rússia avança
A Rússia não desiste
Conflito de desgaste
O Ocidente pode esquecer a Ucrânia
A atenção do Ocidente é limitada (mesmo para guerras)
A Europa está seriamente comprometida com a Ucrânia?
Dinheiro e glória
As sanções contra a Rússia funcionam?
Grande mercado interno
1 bilhão por dia na venda de petróleo
A força da Rússia como exportadora de matérias-primas
Inflação na Rússia, mas também em outros países
Putin está ganhando
China, Índia e América Latina não se opõem à Rússia
Isolamento relativo
Um panorama que dá vantagem à Rússia
Mas há a heróica resistência ucraniana
Quanto do território da Ucrânia a Rússia controla?
Um corredor russo na Ucrânia
Até onde Putin pretende ir?
Um inverno difícil
"Ainda não começamos nada a sério"

Recentemente, Vladimir Putin fez uma declaração, com ar vitorioso e desafiador, sobre a guerra na Ucrânia: "Ainda não começamos nada a sério".

Otimismo real?

O tom era otimista. Mas a guerra está indo tão bem para a Rússia? Putin está ganhando sua batalha contra Zelensky (foto)? O que dizem os dados concretos e qual é o veredito dos especialistas?

Uma guerra lenta, mas na qual a Rússia avança

Max Hastings, especialista em conflitos bélicos, escreveu em Bloomberg: "A Rússia está fortificando os territórios ocupados. Apesar das surpreendentes perdas e a moral baixa de seu exército, Putin tem, à sua disposição, um inventário de armas não usado".

A Rússia não desiste

A forma como o povo ucraniano resistiu à invasão russa nos primeiros dias, sob a forte liderança de Zelensky, deu a impressão de que Putin havia perdido a aposta. Ele não conquistou Kyiv em poucas horas, nem outros territórios, e sim após semanas de luta árdua.

Conflito de desgaste

Prolongar a guerra e transformá-la em um conflito de desgaste é algo que convém a um país como a Rússia, com muito mais recursos bélicos que a Ucrânia.

O Ocidente pode esquecer a Ucrânia

E é isso que está acontecendo agora. Uma guerra que se arrasta sem que fique claro o quanto mais a Ucrânia pode suportar. Por enquanto, o Ocidente apoia Zelensky, mas se a guerra durar, esse apoio pode desaparecer.

A atenção do Ocidente é limitada (mesmo para guerras)

Matthew Sussex (Centro da Universidade Nacional Australiana para Estudos Estratégicos e de Defesa) disse, em um artigo para The Conversation: “A invasão russa da Ucrânia não terminará tão cedo, e Putin tem o curto período de atenção do Ocidente”.

A Europa está seriamente comprometida com a Ucrânia?

O compromisso da Europa com a Ucrânia será posto à prova se a Rússia cortar o gás para países como Alemanha ou Hungria, no inverno. Nesse caso, a opinião pública desses países pode defender uma negociação com Putin em vez de sofrer.

"Mobilização furtiva"

O que está claro é que Putin não tem cedido e está disposto a continuar enviando soldados para a Ucrânia. New York Times falou de uma "mobilização furtiva" das autoridades russas.

Dinheiro e glória

O movimento inclui recrutamento massivo em troca de mais dinheiro e tentativa de atrair jovens ideologizados em defesa da pátria.

As sanções contra a Rússia funcionam?

Também há a questão de saber se as sanções econômicas contra a Rússia têm sido tão eficazes quanto se acredita. Por enquanto, a realidade é que a economia do país não entrou em colapso.

Grande mercado interno

A Rússia conta com um grande consumo interno. Exemplo disso é o fato do McDonald's fechar seus 850 estabelecimentos no país e, imediatamente, eles serem adquiridos pelo milionário russo Alexander Govor. Continuaram a operar, com outro nome, em plena capacidade.

1 bilhão por dia na venda de petróleo

Além disso, há países que continuam comprando petróleo ou outros produtos à Rússia. Para o Business Insider, um alto funcionário do governo ucraniano afirmou que a Rússia estaria ganhando cerca de 1 bilhão de dólares por dia com a venda de petróleo.

A força da Rússia como exportadora de matérias-primas

O valor é maior do que antes da guerra (o preço do petróleo disparou) e foi citado muitas vezes como um exemplo da força da Rússia como exportadora de matérias-primas, apesar da guerra e das sanções.

Inflação na Rússia, mas também em outros países

Embora a inflação tenha subido na Rússia (ultrapassou 17%), está controlada, no momento. Mas este é um problema mundial e na União Europeia já existem nove países que ultrapassaram os 10%.

Putin está ganhando

Larry Eliott, colunista do The Guardian, foi contundente ao intitular uma de suas análises da seguinte forma: "A Rússia está vencendo a guerra econômica e Putin não está mais perto de retirar as tropas".

China, Índia e América Latina não se opõem à Rússia

Para governos como os da China, Índia ou muitos da América Latina, a guerra na Ucrânia é uma questão interna que não os impede de fazer negócios e ter relações estáveis com a Rússia.

Isolamento relativo

Portanto, o isolamento de Putin é relativo, não importa o quanto a propaganda ocidental fale de sua solidão.

Um panorama que dá vantagem à Rússia

Todo esse panorama significa que há cada vez mais vozes críticas ao triunfalismo ocidental e dando à Rússia certa vantagem nessa guerra.

Mas há a heróica resistência ucraniana

Resta, é claro, a heróica resistência ucraniana. A guerra levantou um povo cuja coesão e dedicação surpreenderam o mundo. Mas isso é suficiente para vencer uma guerra? Zelensky sabe que não e por isso pede armas.

Quanto do território da Ucrânia a Rússia controla?

Foi o próprio Zelensky quem, segundo a Aljazeera, disse, em junho, que os russos controlavam 20% do território ucraniano.

Um corredor russo na Ucrânia

Em três meses, o país invasor conseguiu abrir um corredor ao longo da costa do Mar de Azov, de Donetsk à península da Crimeia. Odessa é seu próximo alvo.

Até onde Putin pretende ir?

Outra questão pertinente é até que ponto Putin quer dominar o território. Já está claro que ele não quer subjugar toda a Ucrânia, mas negociar quando conseguir o pedaço do bolo que deseja.

Um inverno difícil

Depois de um início de invasão em que a Rússia estava superconfiante e logo teve que frear, Putin, agora, aplica uma estratégia paciente. E espera chegar o "inverno total", que derrotou Napoleão e assusta a Europa pela possibilidade de restrições energéticas, crises e fome na África.

 

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